domingo, janeiro 02, 2005

Dia de todos os Santos

Qual dia é hoje? Todo dia é dia de algo, algum santo ou profissional. Pode ser ainda o dia de alguma atitude ou algum objeto. O certo é o dia. Cada dia é único. Ontem foi, hoje é e amanhã, talvez, será. A lembrança sobre do que é o dia, remota a importância, não do dia, mas do celebrado. Dia disso, daquilo e daquilo outro. Às vezes nem nos lembramos do celebrado. Passa o dia e ninguém nos diz qual dia é hoje. Passa a vida e ninguém no diz para viver. Mas é preciso?! Viver o dia! Qual dia?! – Todos os dias como se fosse o último! Mas isso tem cara de repetido, não é? Talvez repetindo e repetindo a gente se convença a fazer isso mesmo. Ou nem assim. Viver é muito difícil quando não se sabe o significado disso. Ninguém sabe. Se disser saber, engana-se. A facilidade em definir a vida consiste em ser simples. A vida é simples. O difícil é manter o estado organizacional dela. A busca pelo equilíbrio muitas vezes nos leva aos extremos. Esse tipo de lugar deveria ser evitado, apesar de muito se falar em viver ao extremo. Mas na verdade não é isso. Viver ao extremo significa concretizar as possibilidades da vida. Desregrada e fanática a vida torna-se um desespero. Esse texto é pequenininho porque a vida também é pequenininha, tanto na sua escrita quanto na sua extensão. Sua definição, no entanto tem ganhado inúmeras páginas de livros, mas ainda continua vazia de significado concreto. Vou torná-la um dia. Qual dia?! O dia de hoje, seja ele de quem for!
Rodrigo Niskier