Grito de adolescência
A vida tem me cercado. Ando olhando para os lados procurando uma saída. Na verdade estou procurando ainda o caminho. Coisas boas têm acontecido, mas parece que cada uma delas trás uma carga de dúvidas e escolhas. A vida pode ser simples, tanto quanto uma folha caindo de uma árvore, mas pode ser tão complicada quanto as nervuras e estruturas celulares que estão na superfície da folha caindo. Ponto de vista, esta é a questão. No momento estou tentando seguir a mim mesmo em uma viagem ao interior do meu ser. O silêncio é meu companheiro, a solidão é minha casa e o exercício é meu descanso. Nesse momento, por mais contraditório que possa parecer, estou como um lago de águas calmas, pleno, sereno e quieto, mas basta uma pequena pena cair na superfície ou um vento mínimo soprar por sobre mim que imediatamente ondas se formam e uma vontade incontrolável de gritar toma conta do meu peito, alcança meus olhos e enrijece meus punhos. A paz e a guerra estão infimamente relacionadas em mim, separadas por uma fina membrana, facilmente destruída por um olhar, uma voz, uma atitude, amiga ou não. Neste exato momento estou só e assim posso controlar minha vida, nada que venha de qualquer lugar pode me ajudar. Qualquer atitude minha em contrário é uma mera adaptação ao meio, uma ligeira forma de não ser indelicado.


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