A vida vale a pena(?)
Considero que este é um texto pesado e provocativo. No entanto, não é um texto sugestivo. A principal idéia motivadora deste texto baseia-se em algumas leituras que tenho feito ultimamente e que me levaram ao seguinte questionamento: existe alternativa ao suicídio quando se conclui que a vida não vale a pena?
Em primeiro lugar precisamos nos perguntar como analisar a vida. Considero esta a primeira questão porque analisar a vida já se justifica pelo fato de estarmos vivos e coletivamente percebermos isto. Qualquer um que se pergunte pelo sentido da vida já ultrapassou a percepção de estar vivo. O passo seguinte é analisar a vida, mas como? Que ferramentas dispomos para fazer isso? De um lado temos a religião que argumenta sobre vários aspectos da vida atual através de relatos históricos e previsões proféticas de uma organização em que tudo será melhor. É evidente que estes relatos, vistos sob uma ótica moderna, buscam explicar o estado das coisas, como chegamos até aqui e, ainda mais, fornecer caminhos de como conquistar uma vida plena na eternidade. Uma interessante releitura disso aponta como essa vida pode ser plena atualmente, durante a vivência. A espera da plenitude pós-morte está caindo em desuso, percebo. Ainda não tenho argumentos para afirmar o porquê disso, mas buscarei em minhas observações por esses fatos.
Outra ferramenta que temos para analisar a vida é a ciência. Vejo uma grande limitação nesta pelo fato de depender da percepção humana e das ferramentas criadas pelo homem para estabelecer tal percepção. Ora, dependemos do desenvolvimento de certas técnicas e equipamentos para poder avançar nesta percepção que podem modificar-se ao longo do tempo quando modernas técnicas e equipamentos podem substituir seus predecessores. É bem sabido que a realidade de hoje é bem diferente da realidade de 600 anos atrás. Não pelos costumes, roupas e música, mas pela forma como se percebia a vida. Do ponto de vista de detalhes físicos a vida mudou. Só para exemplificar hoje sabemos (e aceitamos) que a vida não é gerada espontaneamente, como já se sabia há um (bom) tempo atrás. Enfim, apesar de ser um caminho para busca de explicações para aspectos da vida, a ciência é limitada temporalmente pela perspicácia humana, direta ou indiretamente. Gostaria de incluir neste parágrafo a filosofia como ciência, de forma geral. Acredito que a filosofia moderna depende das percepções que outras ramificações da ciência exploram. Assim, a visão da vida é analisada (ou deveria ser) pela filosofia a partir de conceitos que a física, a biologia, a nanotecnologia e outras áreas aplicam em suas explicações fracionadas.
Um aspecto interessante e, porque não dizer, uma ferramenta para analisar a vida, é o senso individual. A maioria das pessoas não é cientista no significado estrito que este termo reserva. Além disso, existe uma diversidade de religiões, seitas, crenças e demais manifestações espirituais que seguem caminhos próprios na explicação da vida, passada, presente e futura. Quando tudo isso é ofertado ao povo ele mesmo tira, individualmente, suas conclusões e cria o que é chamado de senso individual. Cada um que por algum motivo pense nos aspectos da vida irá concluir baseado na sua experiência e em fatos e argumentos apresentados, ora pela religião ora pela ciência. Cada pessoa tem e enxerga sua própria realidade. A minha vida é, sob vários aspectos, mas principalmente no sentido de percepção minuciosa, bastante diferente que a de um cosmologista, por exemplo. Claro que o senso individual é uma ferramenta para analisar a vida de cada um. Não poderia usar essa ferramenta para analisar sua vida porque as minhas experiências não vão te dizer com a mesma intensidade que eu percebo o que é a sua realidade (devido a vivência própria de tais experiências). É claro que poderia fazer uma lista de recomendações para sua vida baseada nas minhas experiências, mas você as seguiria cegamente? Não iria submeter estas sugestões a nenhuma análise? Não iria usar sua própria experiência para ponderar se o que te sugeri é lógico ou aplicável? As respostas para estas perguntas são óbvias. É por isso que ainda se escrevem livros de auto-ajuda e se produzem filmes sobre o melhor da vida.
Não enxergo nenhuma outra ferramenta para analisar os aspectos da vida. Isso cria pontos a serem observados aqui. Primeiro, será que existe alguma outra ferramenta que poderia ser usada para analisar a vida e que ainda não foi percebida? Em segundo lugar, será que alguém que se propõem a pensar sobre a vida irá usar metodologicamente alguma (ou duas, ou todas) ferramenta para tal? Se não usar, como o fará então? Se usar, irá chegar a uma conclusão acertada?
Claro que não tenho respostas nem para estas perguntas nem para as próximas. Como falei, o texto é provocativo. Mas fiquei intrigado com o último questionamento. Que conclusão é acertada? Será que se eu julgar que minha vida não vale a pena, após usar uma ferramenta da minha escolha, eu estarei certo disso? Será que posso confiar na minha conclusão?
Até aqui o resumo é o seguinte: Estou vivo, vale a pena viver? É preciso analisar isso. Como? Após analisar, posso confiar no resultado dessa análise? Tudo que usei para analisar a importância da minha vida é suficiente para suportar minha conclusão?
Viver quando se vale a pena é ótimo. Sobreviver em condições que te dizem que não vale a pena é masoquismo. Suicidar-se é uma alternativa temerosa. O que venho questionar é, quais outras alternativas ao suicídio quando a vida não vale a pena?
Que fique claro aqui que a premissa para analisar estas idéias é a de que alguém chegou a conclusão que a vida não vale a pena, nem mesmo considerando as possibilidades de mudança que podem ser realizadas. Não irei concluir nada aqui porque este texto é uma cópia dos meus pensamentos e eles estão inacabados. Mas Talvez alguém esteja curioso para saber que ferramenta eu uso e se eu já cheguei a alguma conclusão. Bem, certamente minha ferramenta é a ciência. O que tenho feito ultimamente é sobreviver dentro de perspectivas mundanas, ainda sem nenhum objetivo maior evidente. Tenho sido egoísta no sentido de conhecer a mim mesmo. Já decidi que o suicídio não é uma alternativa para mim. Não posso ainda dizer se sou masoquista ou se já conclui intrinsecamente que a minha vida vale a pena. Na verdade, vou começar a analisar melhor minha vida a partir de agora, refletir sobre novas ferramentas para isso e buscar novas alternativas para minhas possíveis conclusões.


1 Comments:
Já que o texto é provocativo, vou ceder a provocação, e tecer alguns comentários a respeito dele. Vou logo avisando que o meu forte não é a escrita e que não sou uma pesquisadora, mas vamos lá ;)
Um dos comentários foco nas ferramentas por você citadas para analisar se a vida vale a pena; a ciência, a religião, o senso individual e deixou espaço para mais alguma. Não sei bem qual o título perfeito para ferramenta que uso, mas falarei apenas dela: Relacionamento com Deus.
Poxa como é profundo e inexplicável o relacionamento com Deus, a ciência, a religião e o senso comum são pequenos e limitados para defini-lo. Pois Deus é soberano, enoooorme, infinitamente maior que a limitação da mente humana. Todas essas ferramentas são criadas por nós homens, e por isso são limitadas, incompletas e sempre questionáveis. Mas o relacionamento com Deus não. Este é divino, pois mesmo sendo tão grande e soberano, Deus se importa individualmente com cada ser vivente e nos ama com um amor único. Ele nos escolhe para um relacionamento com Ele, e está a disposição de quem quiser encontrá-lo.
O outro comentário que quero fazer é que para mim a vida vale a pena sim! Mesmo no ir e vir de alegrias e tristezas. Porém, não irei justificar o como a vida vale a pena para mim, pois assim, estarei compartilhando apenas de minhas experiências. O meu objetivo é apenas apontar a fonte, para que o meu próximo busque um relacionamento autêntico com Deus. E assim possa ver o quanto a vida vale a pena, não só esta que conhecemos agora, mas a vida eterna. Quando falo que o que quero é apenas apontar para Deus, é que não preciso me preocupar explicando quem Ele é, pois independente de quem olha, Deus é tão maravilhosamente soberano que Ele não muda, a sua essência é imutável, crendo ou não Nele, Ele é. O que muda são as maravilhas que Ele faz na vida dos que se relacionam com Ele.
Um beijo carinhoso, e o meu desejo é que seus olhos dia após dia encontrem a Deus.
Keila
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