quinta-feira, janeiro 12, 2012

Lua cheia no sertão paraibano

Ultimamente tenho pensando tanto. Hoje eu vinha dirigindo meu carro e pensando sobre a essência do ser. Muito profundo, muito filosófico. Mas claro, não pretendo com esse texto elucidar a “grande dúvida da humanidade”. Claro que não. Foram só pensamentos soltos, perdidos numa noite de lua cheia no sertão paraibano. Eu pensava sobre o que deve uma pessoa fazer na sua vida. Deve ela fazer essencialmente o que gosta e o que quer? Ou deveria uma pessoa fazer o que deve ser feito? Ou ainda, será que existe uma terceira opção? Será que existe um equilíbrio? Devemos buscar gostar apenas daquilo que deve ser feito? Fico confuso. Haverá uma resposta certa para cada situação. É uma questão política. As vezes existem dois caminhos igualmente bons, igualmente atraentes. Lá no fundo você sabe que um deles é o certo, é o prudente, é o moralmente justificável. O outro é apenas passageiro, instantâneo, explosivo. Mas, de alguma forma, esse último acaba pesando um pouquinho mais. É que ele é tão fácil. Não te cobra nada a não se que você o escolha e, em troca, você tem aquela agradável certeza de estar fazendo o que você quer, de que você está no comando da sua vida. Já a outra opção, a daquilo que você deveria fazer, é igualmente boa, igualmente agradável e também denota o controle que você tem na vida, mas apresenta alguns percalços. As vezes parece que cobra mais do que oferece. Em certos momentos demora a apresentar aquilo que você busca. Falta-me a paciência, em alguns casos, não sei se é o seu, é?
Mas, enfim, espero ter-me feito claro. A vida é muito complexa para quem pensa nela. Viver é simples em determinado ângulo. Mas, quando você se põe a pensar sobre ela, sobre suas minúcias, suas curvas e buracos, aí enxerga-se o quão complicada ela é. Complicada para quem, querendo entende-la, buscar viver dentro de um conjunto de regras que, se sabe que existe, mas que muitas vezes não sabemos quais são. Mesmo para aqueles que, após muita ponderação, declamam que a regra da vida é “viver sem regras”, encontram aí um desafio, pois existimos dentro de uma condição cultural que nos leva a viver em sociedade e esta condição, por si, já impõe suas próprias regras. Viver sem regras numa sociedade incutida delas e ainda mais por picuinhas exige tanto esforço quanto tentar entender as tais regras que regem a vida.
Não me vem outra frase na cabeça senão a de John Lennon: A ignorância é uma benção. Por que ao invés de educação e cultura, meus pais não me deram a opção de viver no mundo não formador de opinião? Sei que do outro lado da cidade alguém lamenta como eu, pensando no que faria se tivesse a oportunidade de ter cultura e educação. Ninguém está feliz com a sua condição? Será? Isso me fez rir. Essa busca infinita por uma razão de viver talvez seja a tal razão. Quem tem muito acha que seria feliz com pouco e vice-versa. É claro que deixo isso para aqueles casos das pessoas que se propõem a pensar sobre a vida. Existem aqueles que estão num iate, tomando champanhe e rindo alto que talvez nunca se olhe no espelho e questione a sua existência. Talvez essa pessoa nunca se encontre só com seus pensamentos furtivos. Fico feliz por essa pessoa. Realmente feliz. Ela sabe apenas ser feliz. Assim como aquele que trabalha sempre e diverte-se apenas em dia de jogo de futebol na televisão ou quando se reúne com amigos ou amigas para conversar sobre a vida alheia. Talvez essa pessoa também nunca perca um segundo de sua vida pensando sobre a vida. Fico imensamente feliz por ela também. E é nesse sentido que penso quando me lembro da frase supracitada. A ignorância de nunca ter sido despertado a pensar sobre a vida é realmente uma benção. Ser plenamente feliz deve depender disso e, portanto, sei que nunca serei tão feliz assim.