Vendendo a alma.
Recentemente deixei de ir a um espetáculo de música eletrônica para poder trabalhar em uma oportunidade que me apareceu. Tratava-se de um evento para o qual eu me antecipara dois ou três meses para comprar os ingressos. Estava muito ansioso por esse dia. Mas, num daqueles momentos críticos da vida, surgiu uma aula para ministrar no interior paraibano (neste momento da minha vida trabalho como professor do ensino superior da rede privada). A questão é que, subindo no elevador do prédio onde moro, pus-me a pensar sobre a razão de optar pelo trabalho. Estarei ficando velho? Pela tristeza que estou sentindo agora por não ter ido, e por todas essas indagações, eu diria que não. Estou endividado? De certa forma, tenho prestações a pagar. Mas e o lazer? Em algum momento eu preciso de lazer. O que é a vida de uma pessoa sem momentos de lazer? Claro, existem muitas outras coisas, mas vivemos em busca de momentos prazerosos e, definitivamente, ter ido a esse espetáculo, teria me dado muito prazer. Mas posso ter esse prazer em um momento futuro. Então, até agora, peso maior se dá em favor da opção que fiz. Mas, será que em um momento futuro não irei eu ter que dispor de quantia semelhante a esta que estou economizando agora? Tudo bem, tal futuro pode ser menos complicado do que três longas viagens que eu teria que fazer para conciliar a festa com a aula (figurando um cenário onde eu teria as duas coisas). Mas, o ponto é, o ciclo dos recursos financeiros que movem a nossa vida nos leva a uma situação em que trabalhamos para comer e comemos para ir trabalhar. Eu já havia chegado a essa conclusão antes, mas achei oportuno contextualizar com o fato de hoje.


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