A solidão que nasce da convivência humana
Existe, mesmo que neguem,
uma fuga da solidão. Uma pressão social para que não estejamos e nem
sejamos solitários. A sociedade, a mídia e outros a quem interesse
nos impelem para escapar da solidão. Entretanto, é justamente no
silêncio dela onde encontramos a companhia mais importante
para tomar as nossas decisões: nós mesmos. A nossa consciência
muitas vezes atua de forma autônoma, seguindo padrões definidos,
escolhendo entre opções limitadas. Nosso poder criativo e a
intuição para novas escolhas manifestam-se, muita vezes, quando
escutamos a nossa voz sem a interferência do ruído ambiental das
outras consciências. Além disso, considero nosso instinto
de autopreservação. É óbvio e evidente a existência de ideias
conflitantes e, portanto, objetivos e atitudes diferentes em relação
a situações comum a duas ou mais pessoas. A solidão, por isso
mesmo, é refúgio seguro, retiro espiritual, residência familiar ou
exílio para quem identifica-se como vítima do preconceito de
ideias. Como e por que impedir a solidão daqueles cujo único
refúgio é a segurança do isolamento? Apenas o solitário crônico
pode encontrar argumentos para reintegrar-se à sociedade. O
solitário agudo, por outro lado, busca argumentos para permanecer
como tal, é um explorador do autoconhecimento.


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