-->
Estive
pensando sobre nossa condição de liberdade democrática. Acordamos, trabalhamos,
estudamos, nos divertimos e dormimos. No meio disso tudo existe uma grande
diversidade de detalhes que escapam a nossa compreensão. Detalhes pensados e
colocados em ação pelos nossos governantes, eleitos democraticamente pelo povo.
Democraticamente? Escolhemos mesmo os nossos governantes? As opções dadas para
nossa escolha são autênticas ou manipuladas?
Escolher entre opções limitadas
não é escolher de verdade. Uma vez escolhidos, nossos representantes
governamentais cuidam dos nossos interesses, muitas vezes decidindo que os
nossos interesses serão melhor cuidados por outros; muitas vezes
estes outros são desconhecedores das nossas necessidades, das nossas peculiaridades e dos nossos
desejos.
Educação privada, segurança privada, saúde privada, transporte
privado, alimentação privada, moradia privada. Todos somos livres, todos temos
direitos constitucionais e todos somos subjugados. Logo cedo somos registrados, nomeados,
identificados através de um registro geral, de um código de pessoa física ou
jurídica. Temos nome, mas nos enxergam como números. Ainda cedo também somos
ensinados sobre o funcionamento da sociedade, aprendemos na prática a teoria
econômica vigente. Temos que trabalhar. Temos que ganhar dinheiro. Temos que
ter bens. Precisamos pagar por serviços básicos, garantidos pela constituição.
E como é bela a nossa democracia. Cada um contribui para garantir os direitos
básicos da nossa lei magna. Quem trabalha mais, ganha mais, contribui mais.
Justo(?!). E, nas mãos dos nossos governantes, o poder para deliberar a
distribuição desse imposto (derivado do verbo impor? Obrigar?). Saúde,
educação, segurança, transporte, alimentação, moradia, tudo isso é nosso (?!).
A forma como esses direitos são negados na sua forma eficiente, plena e decente
é clara nos olhos da mãe que chora com o filho doente na fila de um hospital
precário; nas mãos calejadas, doloridas e mal remuneradas de um trabalhador;
nos ônibus abarrotados, atrasados e quebrados; nos milhões de moradores nas ruas, pedintes, que roubam e matam; e em tantos outros exemplos da nossa
rotina apressada e displicente.
Mas todos esses direitos não são frivolidades,
são básicos, necessários para uma vida digna, plena e feliz. O mínimo para
sustentar a efemeridade da nossa existência humana. Então, precisamos de saúde,
de educação, de segurança, de transporte e de moradia, todos com qualidade
suficiente, condizente com o imposto pago mensalmente. Mas não são.
Veja como
as coisas são: aprendemos cedo que precisamos trabalhar para pagar impostos
ao estado, este garante a concessão do nosso direito maior. Diante
da insuficiência desse cumprimento, precisamos pagar mais por serviços privados
que nos alimente, abrigue, proteja, transporte, eduque e nos torne saudáveis
apenas para podermos trabalhar mais. Tudo isso porque precisamos cumprir nosso
dever social de pagar impostos e contribuir para manutenção da nossa grandiosa
democracia onde, o auge da nossa liberdade é o voto livre em candidatos
manipulados e em opções limitadas.
Extrapolando isso para o significado dos nossos
dias de trabalho, entendo ser a nossa liberdade apenas uma reles maquiagem
sobre as opções que nos são dadas pelos governantes que escolhemos. Quando eu
voto estou escolhendo o candidato que vai me dar certas opções para minha vida.
Mas não quero que me deem as opções. Quero eu mesmo definir as opções e
escolher o melhor para mim.
Novamente, liberdade de escolha entre opções
pré-definidas não é democrático e nem libertador. É uma prisão disfarçada. É
uma escravidão. A verdadeira liberdade é um sonho que temos todos os dias
quando nos deitamos e pensamos como a vida seria melhor. Esse sonho é a base
que nos mantêm vivos, fortes e perseverantes. Por ser tão importante esse sonho
é alimentado até por quem nos mantêm escravos.
Se não fosse por isso, se não
fosse possível sonhar, não trabalharíamos tanto para manter nossa escravidão
disfarçada. É melhor dar opções pré-definidas ao invés de chicotear e
aprisionar. Estes são os nossos novos grilhões. Não aceitaríamos ser
chicoteados para manter a riqueza, opulência e ostentação dos nossos
governantes, mas aceitamos bem a nossa condição obrigatória de eleitor.
0 Comments:
Postar um comentário
<< Home